Escultor de craques: conheça Ortiz, o responsável por formar os atacantes no Beira-Rio

15/10/2011 | 18h45min

Escultor de craques: conheça Ortiz, 

o responsável por formar os atacantes no Beira-Rio

Ex-jogador de futsal coordena o Projeto Aprimorar, que revelou Leandro Damião

     Ortiz poderia ter sido engenheiro. Ortiz poderia ter jogado uma Libertadores, se o Grêmio o tivesse cedido ao Cerro Porteño durante sua curta passagem pelos gramados. Ortiz poderia ter parado de jogar futsal em 1997, quando um diagnóstico aparentemente definitivo o tirou das quadras. Ortiz poderia, ainda, ter se satisfeito em ser ídolo nas quadras do Gigantinho em uma época em que eram parcas as conquistas no Beira-Rio.

      Mas o camisa 11 dos principais títulos do Inter no futsal hoje tem a missão de projetar o futuro do clube aprimorando jogadores da base. E, agora, Ortiz forma craques.

      Aos 47 anos e dotado de um semblante tranquilo, Luís Fernando Roese Ortiz construiu a carreira no clube e tornou-se referência para os meninos que chegam ao Beira-Rio com o sonho de jogar bola, o mesmo que um dia ele teve. O coordenador do Projeto Aprimorar e do FutCenter, que também comanda o Sub-20 e o Sub-23, frequentava um pré-vestibular na Rua Dr. Flores quando foi levado para as quadras de futsal.

      Eloquente com as palavras, o rosto estremece ao falar de 1997, o ano em que recebeu a recomendação de parar. Afastou-se das quadras por oito meses e, com a orientação do departamento médico do Inter, conseguiu retomar a carreira. O desejo de voltar era tanto que em um apressado mês de recuperação já estava pronto para o Mundial de Clubes, vencido depois pelo Inter. Quando parou de fato, em 2003, nenhuma sentença médica fora proferida: convidado a ser supervisor da base, com a faculdade se encerrando e 10 anos de seleção na bagagem, vislumbrou a mudança de profissão ainda no clube que o projetou. Chutes a gol, hoje, só nas peladas:
 
– Não tem nada melhor que jogar.

Negociação frustrada tirou Ortiz do futebol de campo
    Com passagem por clubes de Caxias, Fortaleza, Paraná, Santa Catarina e Madri, na Espanha, os pontos altos da carreira foram no Inter. Hoje, o mesmo Gigantinho que o viu conquistar títulos em uma época em que o futebol de campo dava raras alegrias ao torcedor colorado jaz vazio, para sua tristeza. Adotado como ídolo pela torcida, Ortiz se ressente da falta de investimento no futsal, reconhecidamente formador de craques e capaz de levar o nome do clube a cidades onde o futebol passa longe. Mas entende o lado do Inter, que precisa investir na formação de jogadores e não se permite ter um time de futsal mediano, apenas para figuração.

     Se o sonho de menino era jogar no campo, Ortiz pôde experimentar por dois anos, suficientes para decepcionar-se e, por fim, abandonar a ideia. Jogou no Grêmio entre 1985 e 1987 e chegou a vencer o Campeonato Gaúcho com o clube, mas largou por uma desavença com a direção, quando foi sondado pelo Cerro Porteño e dirigentes do Grêmio dificultaram ao máximo a negociação, revela.
 
    Ainda cursando Engenharia, já conhecido nas quadras e com o suporte econômico da família, de classe média, negou-se a continuar no clube. Hoje, a atitude lhe parece precipitada. Mas a ideia se dissipa quando pensa em títulos e medalhas conquistados justamente no rival, onde marcou uma geração e tornou-se eterno.

Confira a íntegra da matéria na edição deste domingo de Zero Hora.
Confira o vídeo:
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